A criadora do método

Duas trajetórias paralelas definem boa parte da vida de Carla Sinisgalli. Uma delas é busca pela espiritualidade, a outra é o estudo e a prática da música como uma linguagem artística. Durante muito tempo ela se aprofundou nessas duas jornadas de conhecimento até conseguir integrá-las na criação do método do Canto Curador, um fruto de suas vivências e experiências pessoais e coletivas que oferece a qualquer um a oportunidade de conhecer e expressar sua voz verdadeira através do canto. 

A espiritualidade apareceu primeiro em sua vida. Seu pai lhe ofereceu uma formação católica e a levava à missa todo domingo enquanto sua mãe lhe ensinou que havia uma sentido chamado intuição, especialmente forte nas mulheres, através do qual ela poderia descobrir muito sobre si mesma e até sobre o futuro. Mas o encantamento com a dimensão espiritual era contrastado pelo materialismo que permeava sua formação familiar e escolar. A ideia de que o mundo estava limitado à matéria, ao tangível, ao que é possível ver da realidade, esvaziava profundamente o sentido da vida e angustiava Carla. Até que, aos 26 anos, conheceu a Umbanda onde experimentou rituais permeados por toques e cantos e confirmou o que já suspeitava: a existência pode transcender a matéria. Carla também experimentou o autoconhecimento a partir da ingestão de Ayahuasca e de práticas físicas como a Ashtanga, uma modalidade de yoga. Essas vivências foram consolidando sua percepção de que existe uma inteligência maior regendo a existência.

Em paralelo, Carla iniciou seu contato com a música aos 12 anos, iniciando-se no canto aos 16. Aos 19 anos ouviu, em uma consulta fonoaudióloga, que seu aparelho vocal era impressionantemente bem formado para a ressonância da voz. “Eu vejo gargantas todos os dias há mais de 20 anos e o que você tem aí dentro um Stradivarius”, disse-lhe a especialista que a examinava, referindo-se aos instrumentos de cordas construídos pelo luthier italiano Antonio Stradivari (1644-1737) que impressionam pela excelência técnica de reprodução do som. Nesse momento Carla decidiu honrar essa qualidade fisiológica de uma garganta esculpida para o canto e mergulhou fundo no estudo da própria voz. Teve excelentes mestres que a conduziram pela percepção, harmonia e prática musical no canto popular e lírico. Com o apoio desses mestres aprendeu a desenvolver a inteligência de usar os sentidos e a presença para perceber e praticar a música não só no canto como na bateria, piano, percussão e violão. Estudou regência e composição na Faculdade Santa Marcelina, onde consolidou sua formação musical tecnicamente. Cantou na Big Band da Santa Marcelina e participou de bandas e Duos com os violonistas Muari Vieira e João Luis. Criou um espetáculo musical chamado Cidades Invisíveis, adaptação da obra homônima do escritor italiano Ítalo Calvino. Produziu e lançou o CD Kiessá, com músicas em diversas línguas, uma delas inventada pela própria Carla.

Foi na comunidade Inkiri Piracanga, no interior da Bahia, que a dualidade das trajetórias da música e da espiritualidade se integrou para criar um caminho único. Ali, onde morou por três anos trabalhando junto à comunidade, Carla se formou como leitora de aura, prática que exerce até hoje. Ao desenvolver essa ferramenta de autoconhecimento e limpeza energética, ela pode levar suas aulas de canto para além da técnica, conduzindo seus alunos a uma verdadeira jornada de revelação da própria voz. Em Piracanga, Carla descobriu e se entregou ao canto dos mantras, que são portais de conexão espiritual. Começava a nascer, dessa mistura de referências e vivências, o método do Canto Curador, um caminho para o despertar da voz, que Carla tem aplicado em vivências, atendimentos e retiros.

Em 2015, Carla conheceu seu Guru, Sri Prem Baba, um mestre espiritual brasileiro comprometido com o despertar do amor na humanidade. Desde então coloca seus dons e talentos e o trabalho do Canto Curador a serviço desse mesmo compromisso. Ela segue trabalhando na lapidação e aprimoração do Canto Curador, orientando sua vida e seu trabalho pela guiança de Baba.

Texto de Natália Garcia